segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

O Poder de um Insight

Analisando sob o ponto de vista conceitual a palavra Insight possui diversas denominações. 

A palavra significa literalmente visão interna, fala sobre o sentido da visão que atribuímos as situações que nos ocorrem durante nossa história de vida.


Não irei me ater a análise destes conceitos e sim ao poder transformador dos Insights.

Ter um insight pode ser traduzido como a capacidade de entender "verdades escondidas" especialmente de caráter ou situação. De outra forma podemos dizer que falamos das "verdades escondidas" em nosso inconsciente.

Permita-me abrir um parênteses fundamental para que exponha um resumo da teoria Freudiana que aborda a primeira tópica que versa sobre o modelo topológico da mente.

Essa tópica faz referência ao nível consciente de acesso que realizamos, aos processos intrapsíquicos, ou seja, trata sobre a forma de acesso às ideias e/ou pensamentos que ficam armazenadas na mente de um indivíduo e sobre a qualidade dos conteúdos de cada um. 

Freud definiu três níveis de consciência: consciente, pré-consciente e inconsciente.

O consciente (Cs) engloba os fenômenos que ocorrem em um dado momento e que são percebidos de forma  consciente pelas pessoas. Ele encontra-se ligado ao inconsciente de forma oposta, devido a sua incapacidade de guardar informações, sensações e representações, restringindo-se apenas em registrar e realizar o processamento das percepções e sensações provindas do mundo exterior, dos sentimentos, afetos, emoções, pensamentos, lembranças, angústias, etc, contidos no sistema pré-consciente (Pcs).

O pré-consciente (Pcs) está ligado aos fenômenos que não se encontram no consciente em um dado instante, mas que pode tornar-se consciente, caso o indivíduo deseje trabalhar estes fenômenos através da análise pessoal, por exemplo. 

Podemos considerar o pré-consciente de forma metafórica, imaginando ele como um filtro de intermédio entre o consciente e o inconsciente. De outra forma podemos imaginar que ele seja um dispositivo de armazenamento de pequena capacidade, tipo um pen drive, que contém, além de outras coisas, a representação de palavras. A nossa consciência depende destas lembranças para que este pen drive funcione. 

Para que um elemento, uma ideia, recalcada no Inconsciente se torne consciente, é de extrema importância, sob o ponto de vista da eficácia terapêutica, que primeiro ele se torne pré-consciente.

Por sua vez, o inconsciente (Ics), está associado aos fenômenos e conteúdos que não são conscientes nem pré-conscientes. Ele abriga ligações escondidas existentes entre os outros dois níveis de consciência. É uma grande fonte de energia, é livre, está relacionado com a vida instintual, é atemporal e caracteriza-se por um caráter infantil.

No inconsciente, "nossa caixa preta", estão contidos os elementos instintivos que são totalmente desconhecidos da consciência. 

Inclui também tudo aquilo que foi excluído, censurado ou reprimido da consciência, como por exemplo: Ideias sociais ditas estranhas para os padrões de comportamento, nossas necessidades fisiológicas, medos, traumas e emoções dolorosas.


Figura representando a primeira tópica Freudiana


Por vezes podemos nos deparar vivenciando situações de conflitos nocivos e prejudiciais a nossa saúde física e psíquica, envolvendo pessoas de nossa família, amigos ou colegas de trabalho. 

Já se pegou tendo certos comportamentos que não gostaria de ter, mas que não consegue evitar sua repetição ou até mesmo entender porque você se comporta dessa forma? 

Não conseguimos fazer ligações entre os componentes da primeira tópica, e acaba não fazendo sentido.

Quando conseguimos identificar e realizar conexões entre o consciente, pré-consciente e inconsciente, percebendo de forma mais clara questões comportamentais que não compreendemos, que nos fazem sofrer, que nos causam dor e que em alguns casos ocorrem de forma repetitiva, prejudicando nosso modo de operar nas relações com as pessoas, quando nos damos conta destas questões, uma luz se acede, tudo começa a fazer sentido e conseguimos nos entender melhor, abrindo assim possibilidades de mudanças destes comportamentos que não nos convém, possibilitando assim, a construção de uma vida mais equilibrada. 

Falo aqui da pratica do autoconhecimento, algo que nos liberta, algo que nos faz entender quem somos. 

A frase atribuída a Sócrates, "conhece-te a ti mesmo e conhecerás o universo e os deuses", cabe muito bem. Conhecer quem somos auxilia-nos a entender nossas potencialidades e também nossos pontos a trabalhar, identificando o que nos impede de crescer, de sermos seres humanos mais felizes, equilibrados e plenos. Este é o poder de um Insight !!!

Como realizar isso?

Revelar nossas "verdades escondidas", contidas em nosso inconsciente, não é uma tarefa fácil, as vezes não damos conta disso sozinhos. As vezes nem queremos dar conta ... 



Preferimos nos utilizar dos diversos mecanismos de defesa psíquico para proteger nossa saúde mental. Não há nada de errado nisso, porém buscar se trabalhar no quesito da melhoria contínua do autoconhecimento é uma escolha libertadora.

E uma das formas existentes para que você trabalhe de forma contínua a melhoria do seu autoconhecimento é a análise pessoal. Permita-se, trabalhe-se utilizando a técnica da Psicanálise. 

A Psicanálise é forma que recomendo para trazermos os conteúdos "encaixotados e empoeirados" do nosso inconsciente para o nosso consciente, contando com o apoio de um profissional especializado, que lhe ofertará uma escuta ativa, acolhedora, que não julga, que te faz refletir, te faz elaborar pensamentos em prol da construção de um ser humano mais integrado, equilibrado, consciente de si e do outro.

Então ! O que lhe impede de buscar o autoconhecimento?




Saudações Psicanalíticas !